Yoga ao sabor da maré

O Yoga é conhecido por ser a “prática dos corajosos” devido à exploração física e mental que exige. Mas mais corajoso é quem pensa levar tudo isso para cima de uma prancha de paddle no meio do mar. SUP Yoga… soa a desafio?

 

Praia da Duquesa | Fotografias: João Rodrigues

O sol quente e as ondas cristalinas da Praia da Duquesa, em Cascais, convidam a um mergulho no mar, mas hoje o objetivo é tentar não cair à água. O destino é a escola SurfnPaddle, onde Ana Macedo, de 31 anos, instrutora de yoga e grande adepta de surf, combina as suas duas grandes paixões através do SUP Yoga, também conhecido por Yoga Paddle Board ou apenas Yoga Paddle. O tapete original é substituído por uma prancha de Stand Up Paddle (surf em cima de uma prancha com ajuda de um remo) e o equilíbrio testado ao limite.

Ainda na areia, ganha-se coragem com os primeiros aquecimentos e demonstram-se algumas técnicas de iniciação ao paddle: como subir para a prancha, como manobrar o remo, como se colocar de pé e, muito especialmente, como “conduzir” a prancha.

Não passam mais do que cinco minutos e o mar torna-se o destino principal. O equipamento não é leve, mas a prancha tem de chegar à água , mais o remo e ainda uma pequena âncora, uma garantia de que não se anda à deriva.

Ultrapassado o desafio da rebentação, logo aparece outro: a subida na prancha para ficar de pé. Está na hora de pôr em prática a teoria. Aconselha-se movimentos ponderados (já ensaiados em terra) e uma grande dose de coragem.

“Com a prática, e para desfrutar melhor da experiência, há que perder esse medo de ir à água”, diz Noemi Fernandes, agora praticante assídua, recordando a primeira experiência em que o seu maior receio era cair da prancha, o que não aconteceu. De momento a viver em Inglaterra, aproveita quando vem de fim de semana a Portugal, especialmente no verão, para praticar. Chega numa sexta à noite e no sábado, às nove horas da manhã, está pronta para uma aula de SUP Yoga.

 

“Apanhar o jeito do remo e conjugá-lo com o equilíbrio na prancha é difícil ao princípio mas, quando finalmente se consegue, o nervosismo desaparece e dá lugar à descontração e confiança”, afirma Anabela Assunção. É a sua primeira vez e acredita que o medo não se deve sobrepor à vontade de experimentar coisas novas.

Enquanto isto, a instrutora rema para longe da costa e é lá que ficam os turistas a bronzearem-se e as crianças a brincarem na areia. A baía aproxima-se. É este o lugar escolhido para o SUP Yoga, é aqui que o mar está mais calmo e se pode descontrair mais facilmente, sem estar sempre com receio de cair ou de estar no caminho de outros praticantes.

“Para mim o SUP Yoga faz todo o sentido. A prática do Yoga trata de desenvolver o autoconhecimento, e não há melhor maneira de o fazer do que estar em contacto direto com a natureza”, diz Ana, a instrutora, enquanto sorri e olha em seu redor. “ Fazer Yoga mesmo no meio do mar é um exemplo bastante prático disso, eu gosto imenso”, admite.

O sítio onde se pratica faz realmente diferença. Tanto que Paulo Freitas, também adepto deste desporto, quando confrontado com a escolha do mar em prol do tapete, diz: “a verdade é que não estamos apenas em contacto com nós próprios como se estivéssemos fechados numa sala, estamos em contacto com o ambiente que nos envolve. Somos observadores”.

Depois de pranchas ancoradas, a professora incita a descontrair e a apreciar o sol, respirando apenas. Faz uma pequena introdução aos exercícios planeados e termina afirmando: “os meus alunos são os meus melhores professores, estou sempre a aprender coisas novas com eles”.

A voz serena e tranquilizante de Ana conjugada com o som e o embalo das ondas é, sem dúvida, algo único. Nem uma música de CD é capaz de substituir o momento de paz, pois é algo definitivamente incapaz de se sentir noutro lugar que não este.

Mas a intensidade do desafio aumenta, os alongamentos começam e a prancha abana. Sente-se a instabilidade. Há que adaptar os gestos à prancha e ao seu próprio movimento. “Basta respirar e levar a concentração ao ponto de equilíbrio, no centro do corpo”, diz Ana que, ao longo do exercício, vai dando dicas e analisando a performance dos alunos, enquanto os acompanha, para o caso de precisarem de ajuda. “Vamos aproveitar o sol, respirar fundo e reter todas as boas energias deste momento”, incentiva. Sem dúvida que sabe como fazer esquecer o receio de cair à água.

“Como adoro o sol e a praia, poder conjugar estes dois com Yoga, mais o desafio de fazer todas as ‘acrobacias’ em cima de uma prancha, dá-me um gosto especial”, conclui Noemi, resumindo numa frase a sua paixão pela prática.

Num ápice, a aula termina e está tudo pronto para voltar a terra firme. E a vontade de um mergulho? Definitivamente já é outra.

 

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