Bubble Football: Quando o desporto é solidário

Bubble football é um desporto que junta futebol e uma bolha, que apenas está lá para atrapalhar. O ID foi perceber como é estar dentro dessa bolha e tentar marcar golo.

 

O tempo não está o melhor, mas o ambiente de boa disposição reina junto ao campo onde mais tarde um torneio vai acontecer.  A organização do evento, a Associação Humanitária para a Educação e Apoio ao Desenvolvimento (AHEAD), monta a banca da comida que, tal como o torneio, serve para angariar dinheiro. Esta associação humanitária é uma organização não governamental idealizada por estudantes universitários que surgiu em 2007 e que promove projectos em Moçambique, São Tomé e em Portugal. Neste dia, este evento serve para o grupo recolher dinheiro suficiente para que possam enviar uma equipa, por ano, para Moçambique ou São Tomé.

O jogo escolhido pela associação foi o bubble football, um desporto recente em Portugal, mas que está a ter cada vez mais adesão. Como o nome indica, bubble football implica jogar futebol, mas não é bem isso que parece visto de fora. O que se pode ver são oito pessoas sem qualquer ideia daquilo que estão a fazer a tentar acertar numa bola. A dupla de treinadoras especializadas neste desporto e constituintes da equipa do Bubble Football Lisboa encontra-se no campo a organizar as bolhas e a montar as balizas, para brevemente se dar início ao torneio.

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Créditos: Bubble Football Lisboa

Quando chamam os concorrentes, começam por explicar como jogar esta modalidade em segurança. “Há certas regras fundamentais para que ninguém se magoe durante a partida”, diz Ana Cabral, licenciada em Educação Física e mestre de esgrima, aos participantes. “Primeiro que tudo, nada de acessórios, como relógios ou anéis ou mesmo ténis com pitons, podem-se magoar uns aos outros, ou mesmo rebentar as bolhas.”

Inês Pereira, também licenciada em Educação Física e coordenadora do Projecto de Exercício e Saúde Póvoa Vive +, acrescenta as regras a ter em atenção durante o jogo: “Não podem largar as pegas dentro das bolhas e não pode haver agressões propositadas aos adversários.” De forma a ajudar os concorrentes, Ana Cabral dá ainda alguns conselhos sobre como funcionar com a bolha aquando uma queda: “Quando caem, é importante contraírem sempre os músculos e tentarem enrolar-se sobre si mesmos. Quando for para se levantarem, façam-no sempre de frente.”

As equipas são constituídas por cinco elementos, apenas vão para campo quatro, ficando um dos jogadores para substituir a meio do jogo. Segundo as regras impostas pelo Bubble Football Lisboa, não existe guarda redes e cada partida tem a duração de 10 minutos.

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Créditos: Bubble Football Lisboa

As primeiras equipas a defrontar-se são chamadas e dão início ao torneio. O som de borracha contra borracha começa a ser audível em todo o campo e nas bancadas. Mesmo o maior craque do futebol teria dificuldades em controlar a bola tendo uma bolha de borracha a impedir-lhe a visão. “Não há forma de se controlar a bola, vão-se dando uns pontapés na esperança de lhe acertar”, diz Gonçalo Henriques, um estudante de 22 que teve conhecimento do evento através de uma colega, sendo ambos da mesma equipa.

As opiniões no final dos primeiros jogos são unânimes: a modalidade é mais difícil do que parece. “Já não tenho muito jeito para o futebol, com esta bolha então é impossível”, desabafa Maria Sesinando, estudante de Turismo de 19 anos. Marcar golos passa, então, a ser uma tarefa muito mais complexa. “Por muito que acertes na bola e remates, o mais provável é ela passar a três metros de distância da baliza”, comenta Tiago Terruta, também estudante de 20 anos.

Para além da dificuldade em controlar a bola apontada por grande parte dos participantes, a bolha tem ainda outro problema. Para Maria Sesinando, “a bolha parece-te leve e, no início, até nem custa mas, passado uns minutos, o peso começa a ser horrível”. Vasco Leão e Daniel Sousa, estudantes com 19 e 20 anos respectivamente, dizem que “as quedas não são tão graciosas como parecem, o impacto é bastante violente, tem de se ter atenção para não sermos apanhados de surpresa”.

Mesmo sendo uma modalidade que exige bastante do praticante, todos afirmam que gostavam de jogar de novo. “Tem de ser apenas de vez em quando, porque é muito cansativo, mas, sim gostei, e quero repetir”, assegura Gonçalo Henriques.

O torneio termina, a AHEAD agradece. Hoje, vestiram-se bolhas por um mundo melhor e mais solidário.

Vídeo: Bubble Football Lisboa

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