Ericeira e Santa Cruz: Na onda do Oeste

Um conceito, duas praias, dois refúgios que conjugam o desporto e o lazer. Um na Ericeira, que passou de vila piscatória a reserva mundial de surf, outro em Santa Cruz, local em crescimento que conquista quem por lá passa.

Texto por: Daniela Santos e Patrícia Nunes

Dizem que aqui o mar é mais azul. O ID foi até à Ericeira, a Ribeira d’Ilhas, a praia que recebe todos os dias milhares de estrangeiros desejosos de entrar no mar e apanhar a onda mais badalada da zona oeste. Aquela que era uma típica vila de pescadores passou a estar nas bocas do Mundo desde que, em 2011, foi eleita reserva mundial de surf, pela organização norte-americana Save the Waves Coalition.

Ulisses Reis, dono da escola de surf mais antiga e importante de Ribeira d’Ilhas, a Blue Ocean, tenta explicar o que a Ericeira tem de tão especial. Sentado à secretária, em frente ao computador, diz estar a tratar de burocracias, mas rapidamente começa a falar da sua grande paixão: o surf. “Já ando nisto há 17 anos, mas de momento não posso ensinar porque tenho problemas nos joelhos. Foi muito tempo dentro de água… Já tenho esta escola há 15 anos.” Confessa que “desde há seis anos, o surf tem evoluído imenso. Trabalhamos muito com o turismo internacional  e não com o português”.

“Não há dinheiro… mas trabalho muito com a Europa praticamente toda, 99%. O restante 1% são alunos portugueses.”  Ulisses afirma ainda que “a Ericeira é especial e, por isso, é que foi eleita a reserva mundial de surf, a primeira europeia e a segunda do Mundo. Isto porque temos uma das melhores ondas da Europa”.

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E dentro de água…

André, de 35 anos, monitor de surf na escola Blue Ocean, chega rodeado dos seus alunos, várias crianças que não falam português e comunicam entre si e com o instrutor apenas em inglês. Aquecem-se depois de uma intensa aula de surf, que nem o poderoso temporal conseguiu adiar. André explica como é bom voltar a dar aulas na Ericeira: “Comecei a dar aulas aqui há algum tempo atrás com o Ulisses, sempre estivemos ligados ao surf. Este ano, resolvi falar com ele, mais uma vez, para dar aulas. E cá estou eu passado cinco anos.” Diz também que a Ericeira “é um local específico e característico, com características interessantes. É abrigado  – não num dia como hoje, com muito vento e muita chuva -, é um sítio muito especial, um refúgio muito forte”. Os elogios a este local não foram poupados. André é um eterno apaixonado pelo surf e conta que o que o cativa neste desporto é “tentar transmitir e tentar que os surfistas que estão a aprender sintam aquilo que eu nunca senti quando tinha a idade deles. Quero que eles sintam o que é deslizar numa onda com uma prancha de surf”.

A não perder…

Proporciona umas das melhores vistas da Ericeira. O Ribeira d’Ilhas Bar & Restaurante é o sítio ideal para relaxar na companhia de quem mais se gosta, recarregar energias ou aproveitar o sol quente de verão. Tem à disposição um pouco de tudo, desde massas e doces que fazem crescer água na boca, a sumos de fruta naturais ideais para refrescar. E, claro, peixe e marisco não podiam faltar. As pranchas de surf suspensas no teto fazem acreditar que até aqui a vibe do surf não acaba.

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Este ano, em Maio, pela primeira vez, Ribeira d’Ilhas recebeu o Beach Market, evento organizado pelo Ericeira Surf Clube e que conta com o apoio do Ribeira d’Ilhas Bar & Restaurante, da Câmara Municipal de Mafra e da Junta de Freguesia da Ericeira.

O Beach Market é um novo conceito de mercado junto à praia, envolvendo o surf, a moda, decoração e gastronomia, acompanhado das duas etapas dos circuitos nacionais de Longboard e de SUP Wave, organizados também pelo Ericeira Surf Clube.

E 20 km a Norte…

“Santa”, como tão carinhosamente é chamada, é uma pequena vila que cada vez se torna maior. Com 20 quilómetros de extensão é apelidada de Costa de Ouro, talvez pelas várias distinções que tem recebido ao longo dos anos.

Durante o verão, Santa Cruz é palco de vários desportos de ondas. Destaca-se o surf. É na Praia da Física que encontramos o Noah Surf & Soul, uma escola de surf que adotou uma nova imagem, desde a chegada do Noah. A 3S aceitou o convite e, após 10 anos de existência, abraçou este novo desafio.

Frederic Rebelo, instrutor de surf, fala um pouco do funcionamento da sua escola, a 3S, que diz ser “Nobel de ensino”. Afirma que “as nossas aulas são diferenciadas por níveis e idades, com alunos desde os 4 aos 75 anos, e com níveis de surf desde o inicial até aos mais expert”.

Diz também que trabalham “com turismo nacional e internacional assim como população local que pratica o desporto de forma regular”. O que Santa Cruz  tem de especial? Frederic afirma que esta “está fora das grandes luzes e das grandes modas, o que acaba por ter coisas muito positivas, como a permanência de alguma essência e raízes do surf, que se perdem com a massificação”.

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À descoberta

André Duarte, de 21 anos, está desempregado e é surfista nos tempos livres. Escolhe as praias de Santa Cruz para praticar surf, “devido à solidez das ondas”. Conta ainda que a sua paixão pelo surf é devido à “liberdade de movimentos e de manobras e a todo o ambiente em volta”.

Sentada, a desfrutar do pôr-do-sol e na companhia de um copo de vinho verde, Cláudia Caldeira, de 27 anos, confirma que “há já muito tempo que Santa Cruz pedia a chegada de um bar como o Noah”.

A qualidade da zona costeira no que toca à prática de desportos náuticos e a crescente procura por parte dos praticantes destes desportos por locais onde possam ficar alojados ou espaços onde possam usufruir de uma componente de lazer, fez com que este novo conceito chegasse a Santa Cruz. Cláudia não tem dúvidas que  “a chegada desta surfhouse trouxe uma lufada de ar fresco a esta vila turística”.

Além do bar de praia e  da escola de surf  tão procurada pelos turistas, o Noah disponibiliza aos seus clientes uma zona de restauração onde são servidas refeições, petiscos e bons vinhos, muito convidativos para desfrutar de um bom sunset. “Este bar veio revolucionar a noite de Santa Cruz. O seu ambiente cool e trendy, de uma elegância despreocupada, disponibiliza aos seus clientes várias zonas de convívio, nas quais destaco duas: o  lounge onde é possível beber um bom vinho ao lado de uma braseira e ao som de uma boa música soul ou simplesmente do barulho das ondas do mar, e a zona do bar, onde é possível ouvir boa música e dançar com os amigos pela noite dentro.”

Um festival de pé na areia

É em pleno Verão que “Santa” recebe um festival internacional de desportos de ondas, Santa Cruz Ocean Spirit. Realizado desde 2007, este festival já faz parte do cartaz cultural e desportivo da vila do concelho de Torres Vedras.

Entre os dias 15 a 24 de Julho, o areal das praias de Santa Cruz fica repleto de pessoas que ansiosas esperam para ver as provas nacionais e internacionais dos mais diversos desportos de ondas. Não é só surf de que se fala, mas também de bodyboard, kitesurf, kayaksurf, waveski, windsurf ou até stand up paddle.

A música e a diversão não poderiam faltar. Pela noite dentro, pode-se assistir a concertos de artistas conceituados do panorama português.

Duas praias, um conceito. Aqui, o surf e o lazer estão juntos e formam uma ligação perfeita. Não há nada mais libertador e relaxante para os amantes do mar que poder olhá-lo e desfrutar de tudo o que pode oferecer.

 

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