Terapeutas com quatro patas

Se fazer terapia é bom, terapia animal pode ser ainda mais. É cada vez mais utilizada e há quem diga que traz grandes benefícios. O ID visitou três locais onde cães e gatos são muito mais do que amigos: são verdadeiros terapeutas.

Texto de Márcia Oliveira e Liliana Fidalgo

Chama-se Tócão e é uma empresa que tem o objectivo de ajudar pessoas com incapacidades físicas e mentais a desenvolver os estímulos social, moral, táctil e o bem-estar físico. “Considerámos que seria fundamental abrir uma empresa que tratasse de ajudar pessoas com deficiência, seja física ou mental. E a verdade é que vimos uma enorme evolução nas pessoas que faziam terapia com animais”, conta Sílvia Santos, diretora da Tócão. “É claro, que uma deficiência não é curável, mas as terapias podem suavizá-la”, assume.

“Como sabemos, as crianças autistas vivem muito no mundo delas. E o distúrbio da doença é caracterizado pela dificuldade na comunicação social e nos seus comportamentos repetitivos”, explica. “Através da interacção com animais, neste caso com o cão, foi possível alterar alguns desses aspectos. Os nossos amigos de quatro patas têm a capacidade de promover a sociabilidade e a autoconfiança das crianças”, diz Sílvia.

De acordo com a diretora do Tócão, a terapia animal é importante pois muda a percepção que as pessoas têm dos animais enquanto terapeutas. “Os animais têm um poder enorme sobre nós. Eles não são preconceituosos, aceitam-nos como somos. E isso já é o bastante para nos sentirmos mais aceites socialmente e mais confiantes. O objectivo deles é unicamente o amor.

Em Sesimbra…

É precisamente o amor que une os animais do Lar Egas Moniz, em Sesimbra. “Fomos dos primeiros lares em Portugal a trazer os nossos amigos para fazer companhia aos idosos. E a verdade é que eles criam verdadeiros laços de amizade”, diz Teresa Marques, assistente no lar.

Foto: Pinterest

Cada cão tem a sua personalidade definida. Uns são mais calmos e companheiros, outros mais divertidos e desafiantes. “Eles desafiam os nossos ‘velhinhos’ para as brincadeiras até soltarem grandes gargalhadas”, diz Teresa. “E isso é que é benéfico, é eles incutirem essa alegria em nós”, assume.

A verdade é que a felicidade é notória na expressão de cada um. “Brinco com eles o dia todo”, diz Fátima Ferreira, senhora de 85 anos e uma das residentes do lar. Infelizmente já não pode correr, devido a incapacidades motoras, mas isso não é desculpa para não haver brincadeira: “Mando a bola e eles vão buscar e voltam a pousar em cima das minhas pernas. E passamos horas nisto…”

Horas a brincar, passa também José de Oliveira. “Sinto-me muito feliz por os ter aqui. Já estou aqui no lar há anos e eles vieram alegrar os meus dias.” Tem 91 anos e é um dos residentes mais velhos no lar. José distingue-se não por ser o mais velho, mas sim por ser o mais brincalhão. “As minhas cachopas bisnetas quando cá vêm também gostam muito de brincar com eles. É uma festa”, diz num tom alegre.

Como se costuma dizer “envelhecer é a grande sabedoria da vida” mas, por vezes, pode entrar por caminhos mais solitários. “Envelhecer nem sempre é fácil, principalmente quando os familiares não têm disponibilidade para cuidar deles e muitos idosos não aceitam vir para um lar. Vêm contrariados e tristes”, diz Teresa Marques. Acrescenta: “Eles precisam de amor e os animais são os melhores professores nessa área. É lindo vê-los felizes.”

…e em Lisboa

Lisboa tem agora o primeiro e único cat café em Portugal, um conceito pensado para uma sociedade cada vez mais ligada aos animais e ao bem-estar que proporcionam. São muitas as pessoas que vão entrando e saindo do café, todas elas com um objetivo comum: entrar na sala onde estão os gatos. Mas o que motiva estas pessoas a sair do conforto do seu lar para irem acariciar gatos que não lhes pertencem?

Rita, de 51 anos, não tem nenhum gato e veio com a filha que “adora animais”. Afirma que “o contacto com um animal é fundamental, não só para os adultos, mas especialmente para as crianças. As crianças criam laços afetivos muito importantes com os animais e criam responsabilidade, porque um animal não é propriamente um boneco que se deite fora, têm de tomar conta dele. Para além disso, perdem fobias e medos. Tudo isso é muito importante”.

Responsabilidade é, sem dúvida, uma das palavras que tem de estar sempre presente quando falamos em animais. Maria de Lurdes, de 57 anos, veio ao café simplesmente porque adora gatos e esclarece que não tem animais porque não tem disponibilidade “mas, se pudesse, com certeza que teria”.

Catarina Mendes, a proprietária do Aqui Há Gato, defende que os animais “ajudam no combate ao stress, acalmam, são bons companheiros e ótimos terapeutas”.

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Foto: Liliana Fidalgo

Entre os clientes, existe consenso de que calma e tranquilidade são as palavras que melhor definem o que sentem quando estão com os gatos, e todos reconhecem que os benefícios dos animais são imensos. Há quem diga que o benefício é simplesmente o prazer da companhia, mas há quem vá mais longe. “Considero que os animais trazem muitos benefícios para a saúde, até mesmo para a nossa aceitação social. São eles que, por vezes, sem sabermos, nos dão as maiores lições vida”, diz Susana Correia, de 37 anos.

O ID falou com algumas pessoas que têm animais de estimação para perceber os benefícios que estes têm na vida de cada um.

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