Diogo Melo: O ‘idiota’ da Thoughts Feels Good

Diogo Melo trabalhava na sua própria empresa de design industrial quando uma ideia o acordou. Assim nasceu a aplicação gratuita Thoughts Feels Good, que tem por missão partilhar pensamentos e emoções.

 

A ideia para esta aplicação surgiu através de três experiências pessoais: a sua esposa questionou-o sobre o motivo que o levou a deixar de enviar mensagens, um amigo atravessou um problema familiar e a morte de um tio. Como é que as relacionou de modo a chegar à Thoughts Feels Good?

Não o fiz conscientemente, essa conclusão simplesmente apareceu sem aviso. Houve uma manhã em que fui acordado por uma ideia, tive um momento de epifania onde vi que essas três experiências que vivi revelavam ter algo em comum. Vi que deveria existir uma forma instantânea de podermos dizer aos nossos amigos que, naquele preciso momento, estamos a pensar neles, que eles estão presentes nos nossos pensamentos, sem ser preciso fazer uma chamada, enviar um sms ou escrever uma única palavra. Identifiquei-me de imediato com a ideia, desatei a correr à procura de um caderno para apontar o que estava a sentir e a pensar, e assim apareceram os primeiros apontamentos e esquemas do que viria a ser a Thoughts Feels Good. Nessa mesma manhã, já tinha encontrado um nome e um slogan para o projecto que refletissem a actividade do mesmo. O nome viria a ser Thoughts e o slogan: “Feels good to be remembered.”

Já tinha tido outras ideias tão inovadoras que valesse a pena investir nelas?

Todas as pessoas têm boas ideias em que vale a pena investir, mas são poucas as que realmente o fazem. Dito isto, sim, uma das ideias que tive e que achei que valeria a pena desenvolver até chegou a aparecer num noticiário português alguns anos mais tarde, pensada também por um designer industrial. A ideia era simples, aproveitar os topos dos prédios (ou varandas) como área de cultivo. Para isso, ter-se-ia que desenvolver um sistema modular de pequenas estufas que se adequassem aos diferentes formatos e áreas disponíveis, para se poder fazer crescer todo o tipo de legumes e ervas aromáticas, ou mesmo pequenas árvores de fruto. A ideia seria trazer o campo para a cidade. Quando vi a notícia na televisão, fiquei muito contente, sabia que aquele designer poderia perfeitamente ter sido eu. Mas não era, como tantas outras pessoas, tinha deixado escapar uma oportunidade. Nesse momento, decidi que iria perseguir a minha próxima grande ideia e, uns anos mais tarde, ela surgiu mesmo e fui atrás dela!

A crise é um tema que está cada vez mais presente no quotidiano dos portugueses. O que o levou a ir com este projeto para a frente? Não teve medo de arriscar?

Eu vivo segundo um lema: “espera o melhor, mas prepara-te para o pior”. O medo de falhar existe todos os dias, e não acho que seja negativo. Sem o medo de falhar, todas as decisões seriam tomadas sem se pensar devidamente nos riscos. O medo pode ser nosso aliado no processo de decisão, mas não deve ser nosso inimigo, não devemos deixar o medo tomar conta de nós em nenhuma circunstância, basta estarmos conscientes do pior dos cenários. No caso de tudo correr mal, o que me pode acontecer? Se conseguirmos viver com o pior dos cenários e de voltar a criar condições para prosperar, então não há razão para não arriscar. Depende muito também do que queremos fazer das nossas vidas. Eu sou do tipo de arriscar, sempre quis comandar a minha vida e de ir atrás dos meus sonhos, mesmo que isso implique viver numa zona de desconforto durante um período. E, depois, estou seguro das minhas capacidades.

O maior medo que tenho é o de chegar o dia em que, já velho, pense: “E se tivesse arriscado? Será que poderia ter corrido bem? Será que poderia ter concretizado os meus sonhos?” Isto é, ter arrependimentos… Não ter aproveitado a vida e as oportunidades que ela nos dá diariamente, isso sim, é algo que espero nunca me vir a acontecer. Penso que, até agora, tenho vivido nessa procura do que me torna feliz e me faz sentir realizado.

É a primeira vez que estou a fazer algo na minha vida profissional que realmente me preenche a alma, sou daquelas pessoas que gostava de mudar o mundo e penso que este projecto tem o potencial de vir a chegar a muita gente e de deixar uma marca positiva nas suas vidas.

Da imaginação à ação ainda vai uma grande distância. O que fez para tornar este projeto realidade? Que passos teve que dar para entrar no mundo do empreendedorismo?

Eu entrei no mundo do empreendedorismo há uns anos com outra empresa que criei em 2009. Por isso, foi um processo natural, sabia o que tinha de fazer em termos de criação da empresa. Isso é a parte fácil, a parte difícil foi estruturar o projecto, perceber o que tinha de ser desenvolvido tecnicamente, com base nos esquemas e protótipos que andava a desenvolver. Para isso, fiz uma lista de especialistas da área e fui falar com todos eles sobre o projecto e sobre a abordagem que tinha pensado implementar. Reuni o feedback que me deram e mantive contacto com alguns deles. O projecto foi-se desenvolvendo desta forma, até que se chegou a uma estrutura sólida, onde já se mostrava possível pensar-se em começar a desenvolver a aplicação.

Quanto tempo demorou este processo? Houve percalços?

Tive a ideia em Agosto de 2014, mas só em Março de 2015 (7 meses depois) consegui reunir as condições necessárias para começar a dedicar-me em full-time ao projeto. A aplicação só ficou disponível no dia 21 de Janeiro de 2016, 10 meses depois do início formal em full-time. Os maiores percalços foram sempre os timings de desenvolvimento. As coisas demoram sempre mais tempo a desenvolver do que prevemos, aparecem sempre muitas situações inesperadas para resolver e essas situações podem aumentar o tempo de desenvolvimento para o dobro do inicialmente esperado.

A Thoughts Feels Good é definitivamente uma aplicação diferente porque não utiliza texto ou som para comunicar. O que é que esta aplicação vem trazer de novo ao mercado?

A Thoughts Feels Good foi desenhada para ser a forma de comunicação mais simples, rápida e fácil que existe actualmente. Em três cliques, conseguimos dizer aos nossos amigos que estamos a pensar neles e partilhar o nosso estado de espírito – e estamos a desenvolver uma atualização onde passarão a ser necessários apenas dois cliques. Além disto, a forma que usamos para comunicar assenta numa linguagem intuitiva e universal, emojis animados e únicos, especialmente desenhados para esta plataforma. Podemos enviar um thought a uma pessoa do outro lado do mundo, que viva noutra cultura e fale outra língua, e sabemos que somos percebidos, não havendo assim barreiras à comunicação entre utilizadores.

Logo nas primeiras 24h após o lançamento, a aplicação entrou para o top 100 das Apps gratuitas e para o Top 10 das Apps de comunicação gratuitas da App Store. Como tem sido o feedback?

O feedback tem sido positivo. As pessoas gostam do conceito e tem-se revelado ser, de facto, uma ferramenta útil para o dia-a-dia das pessoas. Existem muitas situações diárias em que gostaríamos de entrar em contacto com os nossos amigos e familiares, mas não temos tempo para o fazer ou não sabemos o que dizer ou escrever, e é precisamente para estes momentos que serve a Thoughts Feels Good.

Não queremos que as pessoas deixem de falar ao telefone, que deixem de enviar sms’s ou deixem de usar o Whatsapp ou o Messenger, essas plataformas existem e são muito boas. Mas existem, de facto, momentos nas nossas vidas em que nenhuma dessas plataformas nos permite fazer esta comunicação instantânea sem termos nada de concreto para dizer e, ainda assim, conseguirmos passar uma mensagem.

A Thoughts Feels Good ainda é uma aplicação recente. Pode desvendar os próximos passos?

Sabemos que o produto terá de ser melhorado. Ainda estamos em fase de testes, daí só estar disponível em Portugal. Só iremos avançar para outros mercados quando sentirmos que o nosso MVP [minimum viable product] se transformou num MLP [minimum lovable product!] e, para isso, já estamos a estudar e a testar novas funções e melhoramentos. O que pretendemos fazer já este ano, dos capítulos que queremos melhorar, é a aquisição de novos utilizadores, é tornar mais fácil o processo de convites e de procura de amigos para os adicionarmos à nossa lista de amigos na App. Outro capítulo é a retenção dos utilizadores. Temos de criar novas formas para manter o interesse dos mesmos na App e evitar que caia no esquecimento. Este é um dos maiores problemas que todas as Apps têm de resolver. Não existem fórmulas mágicas para resolver isto, existem princípios em que nos podemos guiar mas, no final, cada App terá de desenvolver uma solução adequada/personalizada ao seu produto. Existem outros capítulos que queremos melhorar, mas terão de descobrir quando o update estiver disponível.

Entrevista realizada por email.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s