Spoonful: Comer inteligente é o futuro

A Spoonful distingue-se pela alimentação saudável e a conveniência. O ID esteve à conversa com Renato Duarte, um dos fundadores do projecto, para perceber melhor o conceito e objetivo deste negócio.

Começaram a ser criadas, há relativamente pouco tempo, algumas empresas de entrega de comida saudável no local de trabalho e em casa. Como surgiu a ideia do projeto Spoonful?

Somos três sócios: eu, o Sérgio e a Daniela. Eles trabalhavam juntos numa empresa e começaram a encomendar almoços de uma empresa de comida vegetariana. Eles adoram comida vegetariana e saudável, têm esse tipo de preocupação. Fazem desporto, tanto um como outro e eu também. Portanto, têm preocupação com aquilo que comem. Eram clientes dessa empresa, mas acabou por fechar. O Sérgio e a Daniela começaram a pensar e tinham vontade de criar um projeto, fosse ele qual fosse. Tiveram esta ideia e foi assim que surgiu a Spoonful. Acabaram por me chamar porque sabiam que eu tinha alguma afinidade com este tipo de conceito, somos amigos há muitos anos. Investigámos algumas marcas parecidas no estrangeiro.

Uma empresa de entrega de comida saudável, em Nova Iorque, chamada Maple foi muito a nossa inspiração, quer naquilo que é o conceito deles – “Comida saudável entregue no trabalho” -, quer também na forma como o fazem, com uma base tecnológica bem desenvolvida. Essa foi a nossa ideia desde o início: aliar as novas tecnologias, a utilização próxima que as pessoas fazem cada vez mais do computador e dos telemóveis. Depois, a conveniência e a preocupação que as pessoas têm com aquilo que comem. O negócio está a correr bem, o projeto teve uma boa aceitação. Acho que as pessoas estavam muito ávidas de um projeto com estas características. Não somos a primeira empresa de entrega de comida no trabalho, surgimos há cerca de seis meses e, de lá para cá, é impressionante, porque vimos nascer muitos projetos parecidos. Quando entrámos no mercado, fomos quase os primeiros, mas houve uma grande evolução em tão pouco tempo.

“O objetivo do negócio é promover uma alimentação saudável”

Qual é o objetivo deste negócio?

O objetivo do negócio é promover uma alimentação saudável junto dos nossos clientes e de todas as pessoas que queiram aderir a este estilo de vida. Nós vamos um bocadinho “à boleia” de um estilo de vida saudável, que está muito na moda. Este estilo passa não só por comer bem, mas também pelo desporto e por uma certa atenção a alguns componentes da nossa vida que nos fazem sentir melhor e mais saudáveis. Os nossos pratos não são pratos de dieta, são pratos saudáveis. É importante fazer esta distinção, porque não é exatamente a mesma coisa. Uma alimentação saudável é uma alimentação que promove a saúde, ou seja, não é só comermos alimentos baixos naqueles ingredientes que não nos fazem tão bem – os fritos e as gorduras –, mas também substituirmos esses alimentos por outros que, para além de serem menos calóricos, promovem a nossa saúde. São chamados alimentos funcionais. É esta a nossa missão. Promover um estilo de vida saudável, uma alimentação saudável, com tudo o que isso implica.

Quantas pessoas estão envolvidas neste projeto?

Estão envolvidas muitas, temos muitos funcionários. Mas, na raiz do projetos, somos três sócios, como já referi. Chamámos uma nutricionista, a Maria João Nogueira, que é um apoio fundamental. Todos os pratos que são pensados por nós em conjunto com os nossos cozinheiros passam depois para ela, negociamos os ajustes que ela quer fazer. Somos basicamente nós desde o início. Depois, temos vários funcionários. Temos uma equipa de distribuição e uma equipa que confeciona os pratos. Para além disso, também temos os contabilistas e os advogados, e todos os restantes que nos ajudam.

Neste momento, atravessamos um período favorável à criação de novos projetos. A entrada no mercado foi fácil?

Acho que estamos num período muito favorável à criação de novos projetos porque estamos, mais do que nunca, nós, portugueses, muito empreendedores e muito pró-ativos na criação do nosso próprio trabalho e de uma solução para a nossa vida. Portanto, acho que conseguimos. Por exemplo, a Spoonful nasceu e nós temos muitos contactos de pessoas que querem colaborar connosco, que querem trabalhar connosco, que nos querem entrevistar, que descobrem o nosso projeto e acham que ele é interessante para divulgar. Isto acontece, em parte, porque o país atravessa uma “fase de empreendedores”. As pessoas têm ideias novas e não têm medo de as pôr em prática. Estamos numa fase boa, sinto o optimismo no ar apesar de todos os problemas, mas esses é melhor porem-se de lado e continuar a fazer o nosso caminho.

No que diz respeito à Spoonful e a este conceito de alimentação saudável, estamos no tempo certo para avançar com um projeto com estas características. As pessoas, felizmente, estão cada vez mais conscientes de que somos aquilo que comemos. Isto é uma frase feita, mas é verdade. Foi fácil, no sentido em que eu acho que as pessoa queriam muito uma coisa deste género. Basicamente, aquilo que fazemos é como se alguém estivesse à noite a preparar a marmita para levar para o trabalho, mas que estivesse uma nutricionista ao seu lado a dizer para meter certas quantidades de ingredientes. Somos muito rigorosos. Já tivemos propostas de parcerias com marcas, não vou dizer quais são, mas são marcas grandes que nos poderiam impulsionar o negócio, porque iam trazer visibilidade a plataformas de comunicação mais interessantes, e nós rejeitámos precisamente porque nem tudo aquilo que é comunicado como saudável o é. Existem muitas formas de dar a volta ao texto e dizer que uma coisa faz bem quando, na realidade, não faz e está cheia de porcarias. Também foi difícil porque criar uma empresa em Portugal é difícil. Exige investimento, exige dinheiro. Exige muito empenho e muito trabalho.

A vossa missão consiste em levar às pessoas, refeições equilibradas ao local de trabalho. Acha que existe uma maior adesão a este tipo de conceito?

Claro! As pessoas querem, cada vez mais, ter um estilo de vida, de uma forma global, saudável. Mas também é um desafio, tendo em conta o ritmo de vida muito agitado, principalmente das cidades grandes, como Lisboa. É muito complicado de gerir em termos de horários. Todas estas pequenas coisas como o ritmo e o estilo de vida que as pessoas levam às vezes, não se compadecem com a atenção e com o tempo para ir ao supermercado e escolher com calma os ingredientes, chegar a casa e confecioná-los com calma, com tempo e disponibilidade. Portanto, todas aquelas ferramentas, neste caso os serviços, que possam facilitar esse trabalho são bem-vindas. Por isso é que as pessoas, de facto, estão recetivas à Spoonful.

“A partir do momento em que comem bem e fazem desporto, percebem que isso muda a disposição e a energia

Acha que o facto de estar na moda “comer saudável” e a publicidade que as figuras públicas fazem à marca tem uma grande influência no negócio?

Sim, para este negócio e para todos. As pessoas conhecidas e que, de alguma forma, se apresentam como referência para algumas pessoas influenciam os consumidores. De facto está na moda, e é uma ótima moda que espero que não passe. As modas, normalmente, são passageiras, mas acho que esta não é uma moda para isso. Acho que vai ficar porque as pessoas a partir do momento em que comem bem e fazem desporto, percebem que isso muda a disposição e a energia. Ficam mais bonitas, ficam mais felizes. Obviamente, não voltam atrás. Portanto, é uma moda, mas que espero que fique para bem de todos nós, enquanto sociedade.

A Spoonful alia a alimentação saudável com a conveniência. Existindo já outras empresas no mercado com o mesmo objetivo, o que distingue o vosso negócio dos restantes?

Um fator distintivo é a alimentação saudável, garantidamente 100% saudável, equilibrada. Com tudo aquilo que a pessoa precisa para estar bem, para ter todos os nutrientes necessários. Entregamos no local de trabalho, esteja onde a pessoa estiver, a preços competitivos. Acho que este fator é importante. Temos pessoas que, inclusivamente, não percebem como é que conseguimos entregar alimentos com tanta qualidade e de forma tão conveniente a um preço tão baixo. É um esforço que estamos a fazer. Obviamente isto é um negócio, tem de dar lucro e dinheiro, mas definimos desde o início que a alimentação saudável e a preocupação com a saúde têm de estar acessíveis a todas as pessoas ou, pelo menos, ao maior número de pessoas possível.

Temos um grande concorrente, que não tem este conceito de alimentação saudável e que oferece refeições a 3,99€. Nós não conseguimos fazer isso, é impossível de fazer. As vantagens competitivas são a garantia de que as refeições são mesmo saudáveis a um bom preço e com uma ligação entre a empresa, o serviço e o consumidor muito intuitiva. O website é muito simples, é muito fácil fazer a encomenda. Esta, de alguma maneira, também é uma vantagem competitiva. Uma outra vantagem é a inovação. Pretendemos sempre inovar nas receitas. Um dos aspetos fundamentais da Spoonful é o sabor. Os pratos têm de ser deliciosos. Temos de ter tanto prazer a comer um prato “nosso” como temos a comer o prato favorito, seja batatas fritas ou bitoque. Queremos fazer da refeição da Spoonful um momento de prazer.

Todas as refeições são preparadas a pensar na saúde e no bem-estar das pessoas. Como é feito o processo de escolha dos alimentos?

Os alimentos são comprados pela nossa equipa de cozinheiros. Temos uma pessoa que faz as compras. Quando começámos o projeto, fizemos uma pesquisa para ver onde é que íamos buscar os melhores alimentos, com mais qualidade. Temos alguns fornecedores, que foram rigorosamente escolhidos e com quem mantemos uma boa relação. É uma pesquisa diária. Quando pensamos numa nova receita vamos escolher os ingredientes aos melhores sítios. Temos muita atenção em tudo aquilo que compramos. Tentamos que seja biológico, tentamos conhecer os fornecedores, conhecer os produtos. Tudo isso passa pela escolha muito rigorosa da nossa nutricionista que nos alerta cada vez que percebe que alguma coisa não está a ser fiel a esse caminho.

E a confeção dos pratos?

São feitos na nossa cozinha. Temos uma cozinha industrial e uma equipa de cozinheiros muito bem escolhidos e que confecionam os pratos todos os dias.

“Ao comer bem, estamos a ser inteligentes”

Deram o nome de “Spoonful – Eat Smart” ao projeto. Acha que comer saudável é ser inteligente?

Claro que sim! Escolhemos a tagline “eat smart” porque achamos que comer de forma inteligente é o futuro. A Spoonful é comer de forma inteligente porque estamos a comer bem, estamos a tratar-nos bem, estamos a ter prazer enquanto comemos. O futuro tem de ser a prevenção. Ao comer bem, prevenimos uma série de complicações na nossa saúde. Ao comer bem, estamos a ser inteligentes. Ao comer bem com prazer, ainda mais inteligentes estamos a ser, porque estamos a viver bem a vida, com tudo aquilo que ela tem para oferecer. Ao utilizar o serviço da Spoonful, estamos a ser ainda mais inteligentes porque não temos trabalho nenhum a fazê-lo. E Spoonful porque é uma mão cheia de saúde, de conveniência, de sabor e de felicidade.

Próximos planos para a Spoonful?

A ideia é pôr o país inteiro a comer bem. A comer smart! (risos) O plano é consolidar o negócio. A Spoonful está a ter muita aceitação. Queremos fazer mais parcerias, pensar em formas criativas de chegar às pessoas no que respeita à divulgação. Acima de tudo, quando estamos a comunicar a marca, estamos a comunicar um estilo de vida. Mesmo aqueles que não se tornam clientes e que optam, de alguma forma, por seguir este estilo de vida de outras formas utilizando outras ferramentas, também são ganhos para nós. Vemos isto como uma missão. É colocar as pessoas a comer bem e falar sobre comer bem.

Leia também a entrevista feito aos responsáveis da Limão

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