Limão: Saudável, bom e sem remorsos

Marina, 29 anos, e Miguel, 26 anos, são irmãos, apaixonados por comida saudável e os criadores do projeto Limão. Com eles, aprende-se a gostar de comer bem, em casa ou no trabalho, sem fundamentalismos ou… remorsos.

O projeto Limão nasceu há pouco mais de seis meses. Marina, licenciada em Gestão de Marketing, confeciona. Miguel, licenciado em Economia, entrega as encomendas. Assumem-se como saudáveis, mas não como fundamentalistas e a sua principal missão passa por mudar o paradigma da alimentação em Portugal.

Começaram a ser criadas, há relativamente pouco tempo, algumas empresas com o conceito de entrega de comida saudável ‘onde estiver’. Como surgiu a ideia da criação do projeto Limão?

Marina Montez Tabuado (MMT) Este projeto surgiu da necessidade de querermos comer bem, ou seja, de ficarmos saciados e satisfeitos, mas, ao mesmo tempo, comermos de uma forma saudável e equilibrada, e de não conseguirmos encontrar nada do género. Se reparares, fora de casa, é quase impossível comermos de forma saudável, principalmente ao pequeno-almoço. Entramos numa pastelaria, por exemplo, e só conseguimos encontrar o típico doce, a manteiga, o queijo e o fiambre, não temos mais nada para comer. Não há nada saudável. Sítios saudáveis para comer, temos o Vitaminas, que é aborrecido, sais de lá sempre com fome e pagas um balúrdio. E foi nesse sentido que percebemos que tinha de haver algo que nos saciasse, mas que sentíssemos, ao mesmo tempo, que estávamos a comer de forma saudável.

Miguel Montez Tabuado (MT)E não termos remorsos a seguir! (risos) Não pensar do género: “Isto é mesmo muito bom!” Contudo, a seguir, começas a pensar: “Isto vai fazer-me mesmo muito mal!”

“O que muitas vezes nos é apresentado como sendo comida saudável, na sua grande maioria, não o é!”

E como é que tudo começou? Quando perceberam que era neste projeto que queriam investir?

MMT Olha, tudo começou quando eu ainda estava a trabalhar. A ideia surgiu e, entretanto, comecei a planear e a delinear as coisas… Comecei a elaborar o plano de marketing, digamos assim. Nada muito detalhado, mas fui fazendo aos poucos. Pesquisei muito sobre nutrição e, à medida que tinha dinheiro, fui reunindo receitas, fui fazendo algumas experiências… E depois acabámos por criar uma página no Facebook…

MTDepois criámos a imagem, com os nossos próprios capitais e, entretanto, acabámos por perceber que poderíamos fazer disto um negócio, ou seja, pensámos: vamos testar produtos, vamos criar uma linha de produtos curta para obtermos um feedback rápido e de diferentes pessoas. O feedback começou a ser positivo e, aí, percebemos que efetivamente existia um mercado para o nosso negócio. A questão é que estamos a penetrar num mercado novo. O saudável supostamente já existe, mas efetivamente não existe. O que muitas vezes nos é apresentado como sendo comida saudável, na sua grande maioria, não o é! E um dos grandes problemas com que nos deparamos são os preços… Porque as pessoas não se mentalizam que, para comerem um bom produto, um produto de qualidade e um produto fresco, é preciso pagar por ele, porque esse tipo de produtos são verdadeiramente caros. Por isso é que nos assumimos com qualidade superior à da concorrência! E isto não é presunção nossa, mas a verdade é que o produto que oferecemos tem qualidade, o preço representa e posiciona o produto no mercado. Olhando para os nossos principais concorrentes, não acho possível que eles vendam um produto saudável com os preços que praticam…

MMT E isto, na prática, significa que oferecemos aos nossos clientes uma alimentação que também é direcionada para a saúde. Existem imensas coisas que são importantes introduzir na alimentação, mas que são caras… Queremos introduzir, por exemplo, os frutos secos, a quinoa e uma série de alimentos que não são tão comuns, mas são muito caros! Ficamos sempre um pouco aflitos, porque é óbvio que temos de balançar o flute cost. E também falta referir que tentamos seguir a dieta alcalina, do PH neutro, e que não somos, de todo, fundamentalistas! Vou-te dar um exemplo: as pessoas não querem retirar o arroz e as batatas da alimentação, e não é preciso! Esse assunto foi uma moda de alguém que se lembrou de dizer: “Agora não podemos comer hidratos de carbono!” Então as pessoas acham que, se comerem hidratos de carbono, vão engordar… E existem imensos artigos disponíveis a refutar isso! Dizem que se deixares de comer hidratos, o teu metabolismo desacelera e não queima tanta gordura… Não somos fundamentalistas a esse ponto, não temos restrições! É basicamente o equilíbrio, tanto que o nosso slogan é: “O segredo está no equilíbrio!” Isto quer dizer, basicamente, que podes comer de tudo, mas que tens de ter consciência de que, se vais fazer abusos num dia, depois tens de compensar com outro tipo de alimentos no outro.

A vossa missão consiste em cuidar da saúde e bem-estar das pessoas através de uma alimentação regrada e equilibrada. Existindo já outras empresas no mercado com o mesmo objetivo do Limão, nomeadamente a Spoonful, o que distingue a vossa empresa das restantes?

MMT – Na minha opinião, o que nos distingue das outras empresas de entrega de alimentação saudável em casa são os ingredientes que usamos e a maneira como os confecionamos. A Spoonful, pelo que sei, confeciona os seus produtos com o objetivo de te tornares uma pessoa saudável, mas não tenho a certeza, por exemplo, se essa empresa se preocupa com os sabores ou não… O que posso dizer é que a nossa missão é tentar tornar os pratos criativos e atrativos! Queremos proporcionar às pessoas sabores e paladares que normalmente não conhecem e a que não estão habituadas!

E a melhor forma de responder a esta questão é dizer-te, de uma forma muito resumida, quais são os pratos que habitualmente confecionamos e que estão presentes no nosso catálogo: temos, por exemplo, os hambúrgueres de couve-flor assada e jalapeños, que são uns pimentos um pouco picantes do sul da América, que acompanhamos com batatas e salada de agrião com cebola roxa; húmus de beterraba com peixe; esparguete de curgete com camarões; hambúrgueres de feijão preto e quinoa, servidos também com salada de agrião e cebola roxa; salada de rúcula, com presunto, requeijão, abacate e amêndoas; frittatas, fritas em óleo de sésamo; salada de pepino, pimento vermelho, manga e amendoins; salada de quinoa vermelha com feijão preto, laranja, abacate e cebola roxa… Nas sobremesas, dou-te o exemplo do iogurte grego com pudim de sementes de chia, ou seja, as sementes de chia são demolhadas em sumo de romã, o que é simplesmente fantástico e tem um sabor incrível! Temos ainda as bananas cobertas com chocolate preto, sem açúcar, com avelãs, e as famosas tangerinas também cobertas com chocolate preto. Portanto, como podes ver, não restringimos nada!

“Tentamos sempre trabalhar junto de fornecedores nacionais e que incluam o menor número de pesticidas possível”

Os menus variam consoante a semana ou todas as semanas confecionam os mesmos pratos?

MMTTento ver sempre o que vende mais, mas é sempre um pouco freestyle… Vou vendo receitas ou alguma coisa que me agrada e penso: esta semana vai ser isto!

MTTodas as semanas, o menu muda! Neste momento, a única bebida que temos disponível é a limonada, mas, entretanto, vamos começar a introduzir mais um ou outro produto. No que toca aos pratos, esses vão variando todas as semanas! A única coisa que temos mantido sempre são os gomos de tangerina, porque as pessoas adoram e porque se vende com muita facilidade. Mas, voltando ao assunto da distinção, não sei se conseguiste perceber ou não a diferença dos nossos menus para os da Spoonful, mas é principalmente o facto de essa marca não variar tanto na escolha dos alimentos. O nosso produto, por exemplo, tem um valor acrescentado, isto é, o produto é de extrema qualidade e altamente fresco. Tentamos sempre trabalhar junto de fornecedores nacionais e que incluam o menor número de pesticidas possível na produção dos alimentos. Outro dos fatores com que nos preocupámos e quisemos ter em conta foi o facto de os portugueses comerem em grandes quantidades e adorarem sabores. Essa foi outra das necessidades que quisemos sanar.

“Um dos erros mais comuns é avaliarem a quantidade de vendas pelo número de ´gostos’ que uma determinada empresa/marca tem”

Hoje em dia, é cada vez mais importante as empresas apostarem nas redes sociais e na divulgação e publicidade através do mundo digital. O facto do projeto Limão ser única e exclusivamente online, sem que exista um espaço físico da empresa, é uma vantagem para o vosso negócio?

MT Sim, por isso é que temos os canais online e offline. Neste momento, apenas estamos presentes no Facebook e no Instagram, mas já estamos a pensar no site, porque, para nós, é uma obrigatoriedade! E, na minha opinião, a grande vantagem das redes sociais é em termos da relação entre eficácia e custo! Ou seja, estamos presentes enquanto empresa, mostramos o nosso produto e o custo de mantermos essas redes sociais é mínimo, logo, é muito mais vantajoso, nesta altura. Ter um espaço físico podia ser interessante, mas não nos interessa para já, não antes de criarmos uma boa estrutura. Somos uma empresa pequena, que está muito no início, e não era prudente da nossa parte darmos esse passo neste momento, até porque, por agora, o online é suficiente para atingir os nossos objetivos. Em relação à parte offline, o nosso intuito é tentar chegar a várias empresas, para que consigamos criar várias parcerias…

MMT Mas foi uma dificuldade que tivemos, porque, de repente, achámos que as redes sociais e a Internet nos resolviam todos os problemas e, de facto, não é bem assim… Os canais offline também são importantes e são, talvez, os mais difíceis de alcançar. Não podemos criar um Facebook e achar que isso é o bastante para fazer crescer o negócio! Aliás, nem podemos sequer avaliar os “gostos” da página e dos próprios posts, porque isso não traduz, de todo, as nossas vendas. Há muitas pessoas que põem o seu like apenas para mostrar que puseram, nada mais. Um dos erros mais comuns é avaliarem a quantidade de vendas pelo número de “gostos” que uma determinada empresa/marca tem.

Na vossa página de Facebook, afirmam que todas as refeições são preparadas para que a saúde e o prazer andem de “mãos dadas”. Como é feita a escolha dos alimentos?

MMTPrimeiro que tudo, trabalhamos em conjunto com uma nutricionista, a Rita Boavida. Guiamo-nos, essencialmente, pelo livro que ela lançou há relativamente pouco tempo que se chama “O Fator PH”.

MTPara já, a parceria ainda não está muito exposta, porque ainda estamos a criar o nosso site, a delinear e a definir muita coisa, mas a Rita é a nutricionista que atesta a parte técnica dos nossos pratos. E é importante que as pessoas saibam que trabalhamos com a ajuda de uma profissional, porque, obviamente, eu e a Marina não somos especializados na área da nutrição e esta parte é essencial para nós, empresa, obviamente para nos dar credibilidade e notoriedade. Aliás, costumamos partilhar na nossa página, todas as semanas, artigos dela e inclusive costumamos colocar um prato que esteja incluído no livro “O Fator PH”. Outra das possibilidades que temos vindo a estudar, por exemplo, é o facto de podermos começar a dar variados conselhos sobre vida saudável, isto é, o Limão juntamente com a nutricionista Rita. Mas é óbvio que são ideias que demoram o seu tempo a ser concretizadas e consolidadas.

O Fator PH, de Rita Boavida
O Fator PH, de Rita Boavida

E a confeção dos pratos?

MMT Sou eu que confeciono os pratos! Primeiro, faço muita pesquisa e, depois de ler o livro onde nos baseamos, ficamos sempre com uma ideia do que devemos ou não consumir e do que nos faz melhor ou pior. Quando me surgem dúvidas, consulto a Rita e pergunto: “Rita, isto é possível? É concretizável? Está equilibrado nutricionalmente segundo aquilo que defendemos?” Logo, estamos sempre em contacto permanente.

No que diz respeito à entrega das refeições, é feita por quem?

MT – As entregas são feitas por mim! Bom, consoante o número de encomendas, mas, normalmente, sou eu que faço as entregas. Neste momento, funcionamos como multitasking: a isto chama-se montar uma empresa com pouco dinheiro, fazemos de tudo! Na minha opinião, um dos grandes erros quando se cria uma empresa é haver sempre a tendência de contratar e de aumentar cada vez mais a estrutura de custos. Neste momento, temos de fazer o que for necessário para que consigamos reduzir os gastos ao mínimo possível.

“O nosso objetivo é mudar efetivamente a mentalidade das pessoas, essa é a nossa principal missão!”

Neste momento, o Limão apenas faz entregas na área de Lisboa. É vosso objetivo expandir a zona de entregas?

MT Sim, claro! Mas, para já, em termos logísticos e para garantir que as entregas são feitas no tempo certo, é preferível atuar sob uma zona mais pequena, mas garantir que o serviço é bom e de qualidade, do que expandir a zona e começarem a existir atrasos no que diz respeito à entrega dos nossos produtos.

Quais são os planos para o futuro da vossa empresa? Se agora vos pedissem para imaginar o vosso negócio daqui a dois anos, como o imaginavam?

MTAbranger todo o distrito de Lisboa, esse é um objetivo certo!

MMT – Pode ser utópico, mas o nosso objetivo passa por mudar o paradigma da alimentação em Portugal. Basta de açúcares e de farinhas refinadas! Basta de delícias do mar e do molho de iogurte…

MT – O nosso objetivo é mudar efetivamente a mentalidade das pessoas, essa é a nossa principal missão! Mas, sem dúvida nenhuma que, daqui a dois anos, veria o Limão com uma área de abrangência muito maior e, eventualmente, com uma maior e mais vasta gama de produtos.

MMT – Gostava muito, no futuro, de fazer eventos! Abolir de uma vez por todas o típico croquete! Existem alimentos muito mais saudáveis… Mas, por agora, vamos começar por criar um serviço de piqueniques. Acho que é uma ideia muito interessante e que pode agradar aos nossos clientes.

Área de entrega do Limão
Área de entrega do Limão

Leia também a entrevista com os responsáveis da Spoonful

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