De dia no triciclo, de noite na cápsula

Alfama, Mouraria, Graça, Chiado, Belém, Parque das Nações… numa Lisboa cada vez mais turística, multiplicam-se as opções para descobrir a cidade. O ID foi saber mais sobre tuk tuk’s e cápsulas inovadoras.

Texto: Débora Dantas / Fotos: New Lisbon Concept Hostel e Tuk Tuk Tejo

 

                                 

Foi no bairro da Graça que Bruno Gouveia recebeu o ID. Até há sensivelmente 20 meses, era engenheiro civil. Trabalhou durante 14 anos para a empresa Teixeira Duarte, viajou por vários países, como Moçambique ou Venezuela. Mas o seu sonho não era esse. Adorava viajar, mas Bruno sentia necessidade de estar em casa e usufruir do convívio em família, na cidade que o viu crescer: Lisboa. Com o projeto que fez nascer, isso agora é possível. O “sonho” teve origem no famoso triciclo elétrico, o tuk tuk. Mais tarde, Bruno nomeou o seu tuk tuk de “Tuk Tuk Tejo”.

A Tuk Tuk Tejo é uma empresa que nasceu há aproximadamente 20 meses e que, segundo o TripAdvisor, é já a segunda empresa deste setor com mais reviews. Bruno e a sua esposa, amantes do turismo e apreciadores das potencialidades que Lisboa tem para oferecer, idealizaram o projeto e fizeram-no crescer de dia para dia. Como diz Bruno, “é mais fácil trabalhar num projeto de que se gosta” e a Tuk Tuk Tejo é isso mesmo. Este é um projeto que se distingue dos demais devido ao seu caráter divertido e personalizado. “É uma experiência culturalmente enriquecedora”, afirma Bruno. É importante referir que os tuk tuk’s utilizados são totalmente ecológicos.

Para Bruno faz todo o sentido este projeto dado que, nos últimos anos, o turismo em Lisboa aumentou exponencialmente, sendo agora a 14ºcapital europeia mais visitada, com um crescimento de 4,9% face a 2014 (dados da edição de 2015 do Global Destinations Cities Index). Esta era a oportunidade certa para ele e a sua esposa avançarem. Como Bruno afirma, “os turistas adaptaram-se muito bem a este novo produto”.

Apesar de o turismo em Lisboa ter crescido muito, na opinião do diretor da Tuk Tuk Tejo, “há ainda muito trabalho a fazer em comparação a uma cidade europeia, onde o turismo se faz de janeiro a janeiro, enquanto em Lisboa o turismo ainda é muito sazonal”.

Quanto à rivalidade com os meios de transporte tradicionais, Bruno diz “que não faz sentido, porque somos um produto diferente, fazemos circuitos turísticos”. A Tuk Tuk Tejo é uma nova forma de descobrir Lisboa, porque existem ruas a que só os tuk tuk’s  conseguem ter acesso. Como refere Bruno, o cliente “usufrui de uma experiência única, entusiasmante e enriquecedora”.

Na Tuk Tuk Tejo existem vários percursos turísticos que são organizados por áreas geográficas, isto é, passam pelos pontos de interesse de cada zona (monumentos, bairros típicos, miradouros, etc.). Durante o percurso, o guia que tem formação na área do turismo dá o enquadramento necessário sobre as zonas por que passa, de modo a garantir ao cliente um conhecimento sobre cultura, arte e arquitetura lisboeta. O guia permite ainda realizar pequenas paragens de curta duração.

Segundo a Tuk Tuk Tejo, o percurso mais requisitado é o percurso da Cidade Bairrista I que explora as seguintes áreas: Praça da Figueira – Rossio – Igreja de Santo António – Sé de Lisboa – Miradouro de Santa Luzia – Castelo de S. Jorge – Miradouro Portas do Sol –  Miradouro Nossa Senhora do Monte – Igreja de S. Vicente de Fora – Feira da Ladra (às terças-feiras e sábados) – Panteão Nacional – Alfama – Casa dos Bicos – Praça do Comércio.

Além dos percursos habituais, a empresa disponibiliza ainda outro tipo de serviços. Pode personalizar o seu passeio a rigor e adaptá-lo às caraterísticas do triciclo elétrico. Um aniversário, uma despedida de solteiro, um jantar de empresa, tudo é possível, basta dar largas à imaginação.

Para um futuro próximo, Bruno garante que a Tuk Tuk Tejo será uma empresa mais ampla e diversificada: irá apostar em segways para conhecer a cidade e irá explorar o sistema de street food no que toca a gelados.

A preocupação e o foco da empresa é que o cliente desfrute das melhores sensações que Lisboa oferece diariamente.

Para os mais dorminhocos…

Na Avenida da Liberdade, abriu um novo hostel que trouxe consigo uma nova forma de estar na cidade: se nunca dormiu em cápsulas, esta é a oportunidade. Chama-se New Lisbon Concept, um nome simples para um conceito novo numa nova Lisboa.
Pedro Domingues, açoriano e proprietário do hostel, afirma que “o turismo em Lisboa cresceu, graças a Ryanair” e foi por isso que quis criar um conceito diferente.

Estudou durante dez anos em Lisboa e rendeu-se aos encantos da capital. “Para mim, é a cidade mais bonita da Europa e faria todo o sentido que o meu hostel fosse aqui”, confessa Pedro.

Durante muitos anos trabalhou em outros hostels, em Barcelona e em Coimbra, mas “queria abrir um negócio”, afirma. “Estive dois anos à procura, mas não encontrava o sítio certo, ou porque era muito caro ou por não ter as condições certas para abrir um hostel. Até que encontrámos este espaço”, reforça.

Para Pedro, era importante destacar-se: queria algo diferente e inovador. Procurou durante um mês na internet o tipo de hostel que queria e, aos poucos, começou a criar a sua própria ideia. Pedro reforça que “tinha de ser algo diferente; em Lisboa já existem 110 ou 115 hostels e a maior parte deles foram ao Ikea. Nós criámos as coisas de maneira a que o nosso hostel fosse minimalista. A decoração é toda moderna, mas está conjugada com o antigo do edifício e da própria avenida. De certo modo, tentámos criar um equilíbrio”.

O hostel é um apartamento com um total de 250 metros quadrados. Existem seis quartos: Alfama, Mouraria, Graça, Chiado, Belém e Parque das Nações. A disposição dos beliches em cápsula está, de certa forma, associada ao contexto de cada localidade. O hostel conta ainda com uma cozinha partilhada, casas de banho, uma sala de estar e duas varandas com vista para a Avenida da Liberdade.

Para o açoriano, “o feedback tem sido bom. Começámos a estar online em Março e temos tido muitas reservas. Curiosamente, 25% das nossas reservas são de Asiáticos, se calhar, é porque se identificam com o conceito”. Pedro considera importante que os clientes se sintam em casa e que exista uma ligação entre o staff e os hóspedes.

O rececionista chama-se Ricardo Fialho. É amigo de Pedro e uma espécie de confidente: juntos planearam o nascimento de nova ideia. “Quando o Pedro ia ver um novo sítio, eu ia com ele. Acompanhei-o quase sempre. E vi o hostel nascer”, afirma Ricardo. Faz todo o sentido para Ricardo colaborar no hostel. “Identifico-me com o conceito, porque é diferente e o público não está habituado. Não pretendo sair daqui”, reforça Ricardo.

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