Na pele de um ‘camone’

Milhares de turistas respiram o ar de Lisboa todos os dias. Hoje, um desses turistas sou eu. Mochila às costas, óculos de sol, nunca dispensando o protetor solar, porque em Newcastle, a “minha” terra-natal, a temperatura é bastante fria. Como é visitar Lisboa sendo um turista?

Passam poucos minutos das dez horas de um calmo sábado na capital portuguesa.  O sol vai aparecendo timidamente mas, ainda assim, quase todos os dias são bons para visitar e descobrir a cidade de Lisboa. Este é certamente um desses dias. Começo pela Praça do Marquês de Pombal e fico surpreendido pela indiferença com que a maior parte das pessoas caminha por estas ruas, certamente consequência da vida agitada de uma grande cidade. A famosa rotunda com a estátua e toda a sua envolvência garantida pela Avenida da Liberdade, Parque Eduardo VII, Rua Braamcamp e Avenida Fontes Pereira de Melo tornam este local realmente especial.

No centro, uma rotunda com uma figura representada epicamente. Pergunto aos portugueses que vão passando na rua quem é. Entre vários “don’t speak english” e diversas variações dessa mesma frase, encontro alguém que me consegue explicar quem é aquela figura disposta de forma tão magnânima. “É o Marquês de Pombal, foi secretário de Estado nos anos 1700 e tal, e ficou conhecido por ter sido o responsável pela renovação de Lisboa, após um terramoto que destruiu a cidade”, afirma um jovem, que parece ser universitário. Continuando curioso, pergunto-lhe o porquê de estar um leão ao seu lado na estátua. “É símbolo de força, poder e determinação”, diz-me com um sorriso na cara. Subo em direção ao Parque Eduardo VII, que tem um ponto de vista espetacular sobre o Marquês e a Avenida da Liberdade, de onde se pode observar um beautiful caos que me faz parar durante uns segundos. No topo, as cores vermelho, verde e amarelo da bandeira nacional dançam ao vento.

Desço em direção à Avenida da Liberdade, com tanto para observar à volta: monumentos, estátuas, pequenas fontes, jardins, lojas, cafés e restaurantes. Sento-me numa esplanada ao ar livre ao lado de uma pequena fonte e fico a pensar como seria um bom sítio para ler um livro, em dias de pouco trânsito.

Quando a empregada que trabalha na esplanada me serve o café, apercebo-me que “também” não é portuguesa, devido à clareza e sotaque do seu inglês, o que me faz temer pelo meu disfarce. Trocamos algumas palavras e, quando parece que começa a ficar interessada em saber de onde sou, chegam várias pessoas, obrigando-a a atender os novos clientes, o que acaba por pôr fim ao breve diálogo.

Desço a avenida e surge a ideia de perguntar o porquê da avenida se chamar “da Liberdade”, uma palavra tão forte que carrega tanto significado. Abordo dois casais que me dão a mesma resposta: “Não fazemos ideia, sinceramente.” Penso que talvez não seja uma informação de domínio público, mas decido tentar mais uma vez. Fico atraído por um senhor de fato a ler um jornal num fim-de-semana e pergunto-lhe se sabe o porquê. Num inglês bastante seguro, responde-me: “Bem, há quem pense que o nome foi atribuído por causa do 25 de Abril, mas na verdade o nome foi atribuído muito antes da revolução, devido à liberdade de Portugal face à Espanha, restabelecida por volta de 1630 ou 1640.” Sigo o meu caminho.

Chego ao Rossio e deparo-me com várias tendas rodeadas de grupos num agradável ambiente de animação. Comercializavam artigos, maioritariamente de artesanato, e gastronomia. A maioria dos vendedores não tem dificuldade em comunicar em inglês o que ajuda e atrai os imensos turistas que encontro nas ruas. Ao mesmo tempo, vai decorrendo um concerto. Com a música de fundo, parece que não falta mais nada.

A caminho do Terreiro do Paço, deparo-me com um jovem vendedor de droga. Apercebe-se que sou turista e muda de linguagem (para uma espécie de inglês) e de postura. Muito amigável oferece “produto” para eu provar e preços “especiais”. Depois de um breve diálogo em que me são apresentados os produtos disponíveis, agradeço a consideração e continuo a andar, ouvindo um “camone de m*rda” enquanto me afasto. Agora, encontro-me numa sumptuosa praça virada para o Rio Tejo: a Praça do Comércio ou Terreiro do Paço. Está cheia de turistas de máquina na mão que captam a essência da combinação proporcionada pela beleza da enorme praça e da proximidade do rio.

Vou terminar o dia ao Bairro Alto que, segundo o taxista, é uma zona “muito engraçada para jovens turistas”. Uns surpreendentes 17 minutos e 12 euros depois, chego ao bairro num fim de tarde bastante agradável.

Deparo-me com muitos estrangeiros e sinto-me em casa, como no resto do dia. Como é a capital portuguesa para os seus turistas? C’mon mate, you should’ve known, it’s a beautifully welcoming city, can’t believe you’ve never been there.

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