Emigrar: Uma aventura para a vida

Fazer as malas, ir para o aeroporto e embarcar no avião são passos simples dados pelo emigrante quando vai tentar a vida em outro lugar. Partir pode não ser necessariamente mau, pode ser uma experiência muito gratificante. O ID foi conhecer algumas delas.

 

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Marta Amaral na Suíça

“É sem dúvida uma experiência muito enriquecedora. Dentro de nós muda muita coisa.” Quem o diz é Marta Amaral, de 29 anos, a viver em Neuchâtel, na Suíça, há cerca de um ano. Foi para lá porque “queria passar por uma experiência fora do país, abrir horizontes e procurar um futuro melhor longe de Portugal”. Mas, assume, o principal motivo foi um convite para jogar futebol, a sua verdadeira paixão.

 

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Cláudia Esteves em Londres

Já Cláudia Esteves, de 35 anos, foi viver para Londres há cerca de cinco anos porque a sua tia, que lá estava há algum tempo, propôs-lhe que fosse sócia da sua pastelaria. “A minha tia sabia que eu estava desempregada há três anos e que não tinha dinheiro para abrir a minha própria pastelaria. Então, fez-me esta proposta e não pensei duas vezes. Tratei de tudo e, em dois meses, já estava a viver em Londres e a trabalhar com ela.”

 

 

Maria do Carmo, de 67 anos, que viveu com o marido durante dez anos em Toulouse, em França, diz que o motivo que a levou a emigrar foi porque “Portugal estava a passar por uma fase complicada e, como estávamos a viver numa ditadura, eu e o meu marido decidimos fazer as malas e ir para a França. Sempre tínhamos mais hipóteses lá”.

Martim Vidigal, de 26 anos, foi viver para a Noruega há dois anos porque “não arranjava emprego em Portugal. Recebi uma proposta de trabalho de um amigo para trabalhar numa fábrica e decidi aceitar. Sempre é melhor que nada!”.

Eva Vasconcelos, de 46 anos, foi viver com a família há cerca de três anos para Orvieto, perto de Roma, em Itália, para abrir um restaurante. “Como já tinha algumas noções de culinária italiana, eu e a minha família decidimos abrir o nosso próprio restaurante/pizzaria em Itália. Foi uma aventura, para experimentar algo diferente!”

É preciso coragem para dar o primeiro passo: fazer as malas e dizer adeus a Portugal. Mas como será que corre a adaptação num país desconhecido?

Os primeiros dias

 Os primeiros dias podem ser um verdadeiro desafio. Marta Amaral concorda: “Foram dias e meses complicados. Nunca é fácil estar longe da família e dos amigos. Também não foi fácil devido à língua, são meses de aprendizagem.”

A língua pode ser um grande obstáculo nos primeiros dias, principalmente quando queremos comunicar com os outros. “Ao princípio, foi muito difícil. Ainda é complicado para mim, mas já não tanto. Quando comecei a trabalhar na pastelaria, a minha tia é que tinha de atender os clientes. Eu ficava na cozinha e ia apanhando no ar algumas palavrinhas. Era um desastre!”, confessa Cláudia às gargalhadas. Com a sua boa disposição, diz ainda que teve de tirar um curso para falar bem inglês, um idioma com que não tinha muita familiaridade.

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Maria do Carmo com o marido

Maria do Carmo também diz o mesmo: “Ui! Nem me diga nada! Como foi difícil para mim e para o meu António falarmos francês. Somos pessoas que não estudaram muito. Portanto, não sabíamos falar línguas. Quando começámos a trabalhar, tivemos de aprender algumas coisas com os nossos colegas. Se não tivéssemos feito isto, até hoje falávamos uma mistura de português com francês.”

Para Martim Vidigal também foi muito complicado: “Na Noruega só se fala norueguês, ou seja, eu falava e as pessoas não percebiam o que eu estava a dizer. Ainda falava inglês com algumas pessoas, mas, na maior parte das vezes, tinha de falar norueguês”, confessa. “Agora já me desenrasco melhor mas, ao início, foi muito difícil.”

Eva Vasconcelos também diz que “foi difícil falar italiano porque não sabia falar quase nada mas, com o tempo, fui melhorando e agora já sou uma expert”.

Quanto a habituarem-se a novos costumes e hábitos culturais, os cinco admitem que não tiveram muitas dificuldades. “Quanto a isso, até foi fácil! O mais difícil para mim foi mesmo a língua! Até já fiz amizades e tudo. Gosto de morar aqui”, admite Cláudia com um grande sorriso. Mas nem tudo é um mar de rosas.

 Quando as saudades apertam…

 A palavra saudade é caracteristicamente portuguesa e nada melhor que os portugueses para a expressarem. “Sinto umas saudades infinitas de casa. Não há nada como o nosso cantinho, os amigos, a família. Eles são tudo para mim”, diz Marta com tristeza e um olhar distante.

Para Cláudia, abordar este assunto também não é fácil: “Gosto de morar aqui, mas sinto imensas saudades de casa. Principalmente porque, quando vim para cá, deixei o meu filhote, na altura com 7 anos, o Jorge, em Portugal. Ele era muito novinho e ficou a viver com o pai.” Com uma lágrima no canto do olho, acrescenta: “ele já me disse que, quando acabar a universidade, vem morar para cá. Tão novo e já está a pensar em ir para o ensino superior!”, diz visivelmente mais feliz. “Mal posso esperar para que esse dia chegue!”

Já Maria do Carmo, apesar de se mostrar um pouco triste, encara o assunto de cabeça erguida. Com um olhar pensativo, lembra: “Para ser sincera não tinha muitas saudades de casa. Pensava mais era nas pessoas que tinham de passar pela ditadura, que era, como se sabe, um regime extremamente mau. Mas não sentia saudades de Portugal. Eu e o meu marido não tínhamos muitos familiares, não havia esse problema”, refere com uma gargalhada. “Os nossos filhos nasceram em França e, quando voltámos para Portugal, eles vieram connosco. Juntou-se o útil ao agradável!”

Martim Vidigal também se mostra otimista: “Sinceramente não tenho muitas saudades de Portugal! Do que tenho mais saudades é da minha família e do meu cão, o Bones.”

Quanto às pessoas que deixaram para trás, Marta responde: “Tento manter-me o mais focada possível no meu objetivo de vida e estar sempre com a cabeça ocupada.” Cláudia diz: “Todos os dias olho para a fotografia do meu filho e penso que, se estou aqui em Londres, é por causa dele! Falar com ele por Skype também me ajuda a matar saudades.”

Eva Vasconcelos declara que “apesar de ter vindo com a minha família para Itália, deixei a minha querida mãe em Portugal”. Emocionada, ainda diz: “Falo com ela pelo Skype, que aprendeu a utilizar há pouco tempo, e pelo telefone. Desta forma, também não se sente tão só.”

Com todas estas vicissitudes, será que aconselhariam os portugueses a emigrar?

“Sem dúvida!”, declara Cláudia. “Acho que quem tem oportunidade de ir viver para fora, não deve desistir, mas sim persistir. É uma experiência única. Tornamo-nos noutra pessoa. Apesar de tudo, adorei sair de Portugal. Abriu-me novas portas.”

“É, sem dúvida, uma experiência muito enriquecedora. Aconselho muito aos jovens a terem a experiência de, pelo menos uma vez, passarem uma temporada fora. Dentro de nós muda muita coisa”, explica Marta.

“Se não querem ficar desempregados para toda a vida, venham trabalhar para o estrangeiro”, diz Martim Vidigal com uma pontinha de humor, “nem que seja para trabalhar numa fábrica de conservação de peixe!”

“Emigrar é dar uma oportunidade aos nossos sonhos. Nunca desistam dos vossos sonhos! Sem sonhos, não somos nada”, exclama Eva.

“Portugal fica mais pobre e envelhecido”, confessa Maria do Carmo a rir, “mas se os jovens vêem que lá fora é que vão ter novas oportunidades, vão! Não tenham medo! Quando uma porta se fecha, abre-se uma janela”.

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Martim Vidigal na Noruega

 

 

 

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